Setembro 22, 2009

No more words

Talvez o silêncio seja sempre a melhor resposta
Atrás de todas as conclusões precipitadas.
Talvez ignorar seja a melhor forma
de fazer refletir sobre o que não é o melhor para si.
Melhor deixar o tempo esclarecer nossas maiores dúvidas
E curar nossas piores feridas.
Melhor ser próprio, reconhecedor de nossos defeitos
que aquele que, muitas vezes, parecendo perfeito
não passa de cópia desautorizada de um outro alguém...
Melhor calar, isso nem sempre é consentir...
Talvez seja mostrar, de forma mais reflexiva
coisas que as palavras não definem...
Melhor deixar passar as coisas que nem sempre são coisas
que deveriam ser nossas...
Às vezes elas vêm, apenas, para que as descubramos
e não permaneçamos eternamente
afogados em nossa ignorância....
***** By Seilinhah***

Julho 16, 2009

"Eu Desafio a sua Capacidade"...

...Não era bem assim, mas deveria ser esse o anúncio na porta do supermercado, ontem à tarde.

Enquanto pessoas entravam e saiam lotadas de sacolas, enquanto passavam bons minutos de seu tempo para serem atendidas no caixa ou escolhiam suas mercadorias nas prateleiras, me perguntava se o sorriso estampado em seus rostos era de satisfação por poder adquirir algo ou de ironia, como o meu, ao perceber que as promoções dos dias de feira não são mais que uma afronta ao nosso raciocínio lógico.

Não falo de valores financeiros, da moeda chula que penamos 20 e alguns dias úteis de nosso mês, minuto a minuto, para adquirir qualquer coisa que não vale metade do que pagamos e sim, de amor próprio, de direito de consumidor que ouvimos, todos os dias, e não valorizamos. Não NOS valorizamos... e aceitamos pagar 0,65 centavos no Kg do tomate, ou verde ou podre, porque o preço normal é maior que R$ 1,50 em dias normais... Pagamos metade para adquirir menos da metade porque é difícil pensar - ou até aceitar - que não vale a pena. E "entendemos", também, que aquele produto com 100 gr a menos está mais barato hoje sem perceber que na verdade, proporcionalmente é, ainda mais caro, mas por alguns centavos a menos, acabamos levando-o da prateleira porque não NOS valorizamos... E não NOS valorizamos quando compramos a carne mais escura, a fruta mais machucada, a verdura mais mirrada...

"Você sabe qual caractrística é própria de um país de 3° mundo?" Alguém me perguntou isso, outro dia. "Miséria", eu respondi. "Não"- me corrigiu - "A Característica de um país de tereceiro mundo é a Desvalorização de si". É certo. Certo e reflexivo... Porque enquanto o Brasil exporta o que há de melhor, o Japão, por exemplo, exporta o que sobra ou seja, enquanto comemos a laranja que sobrou porque alguém lá fora não aceitaria comê-la, comemos também (e pior, acreditando que é "chique", a fruta importada que alguém, lá fora, também não aceitaria comer...

Loucura? Talvez. O que fazer? Todos nós sabemos... E se você ainda tem essa dúvida, de maneira clara - e não subliminar como as plaquinhas de promoção de portas de supermercado - coloco a minha objeção:

EU DESAFIO A SUA CAPACIDADE... de raciocício lógico... de amor próprio... de VALORIZAÇÃO!

***By Seilinhah***

Junho 12, 2009

Inconsistência

Cem passos no espaço
do tempo formado
em qualquer direção:
Do vento, Da água
em felicidade, em mágua
ou sem qualquer explicação...
Sem alvo, sem planos
por baixo dos panos
ou na explicites:
Do ponto, da reta
com rumo ou sem meta
por insensatez...
Sem mero sentido
apenas ouvindo
a mesma velha canção:
que fala da vida
em descanso ou em lida
mesmo sem conclusão...
By Seilinhah***

Abril 29, 2009

Visitantes

Elas vieram mas, depois, desapareceram.
Seriam perfeitas mas não lhes dei crédito.
Surgiram do nada, queriam ficar
mas deixei que voassem
com o vento...
Foram prá um lugar
Aonde ninguém as encontraria.
Sumiram no espaço abstrato:
Invisibilizaram-se.
Um dia, voltaram: Tão mais fraquinhas!
Com ar de piedade as acatei...

E espalhei ao tempo

Seus torpes sentidos

Jamais interpretados, quem dirá, ouvidos

Se assim não fosse sua manifestação.

Apenas não deixei que, outra vez, partissem

Pois se fraquinhas voltaram, quem sabe, desistiriam

E assim tornei-as, como se fossem minhas

Adotando-as em seu simples aspecto.

E decodifiquei-as com meus sentimentos

Interpretando-as ao meu injusto modo

(ou seria justo?)...

E acalentando-as com minhas idéias

Derrubei-as sobre o papel em branco

Para que se tornassem, e existissem

E ganhassem um nome denominado:

PALAVRAS...

Abril 15, 2009

Icógnitas

Com o vento vem o cheiro de coisas que me lembram o passado:
Fatos que adormeceram depois de muito tempo de caminhada.
Degraus que subi para chegar onde estou agora:
Num tempo que não aceito, num lugar que ainda não é o que almejo...
Nas trilhas do incerto, traço apenas um projeto:
De inúmeras possibilidades e trajetos,
Onde a única coisa que é certa, é a demora.
Mas demora... que demora?
Eu planejei estar aqui, um dia, como parte do caminho!
E agoniei inúmeras vezes pela incerteza do que hoje, é óbvio...
Chorei por acreditar que o tempo era meu maior inimigo:
E num piscar de olhos, tornou-se ontem o que parecia tão difícil!
Na insistência, busco forças. Caminhar, às vezes cansa.
E me pergunto se vale a pena sofrer pelo incerto:
As coisas sempre vêm, quando se luta e se espera.
E se a recompensa chega, quando realmente se deseja
Vale a pena sofrer anos,esperando apenas um dia?
By Seilinhah***

Março 11, 2009

Apreensão

(Seile Manuele Corrêa)
O que verei se, de repente,
Deixar a porta aberta quando anoitecer?
E, se tirar do relógio seus ponteiros,
Conseguiria, por obséquio, não adormecer?
Porque eu desisti de tentar chegar
Na outra extremidade do arco-íris,
Depois que descobri que os ultravioletas
Causam lesões irreversíveis.
E meu cepticismo permite
Ficar até altas horas da madrugada acordada
Sem medo algum de bicho papão.
E, depois dele, todos os contos de fada
Não passaram de uma grande desilusão.
O que verei se, de repente,
Deixar o vento passar sem perceber?
E, se desamarrar os cadarços dos sapatos,
Conseguiria, por obséquio, não correr?
Porque eu cansei de caminhar a passos largos
Para chegar rápido em lugares que nunca conheci
Depois que descobri que, muitas vezes,
Pulei pedaços primos que nunca vivi.
E meu cepticismo permite
Que eu lance fora todos os argumentos
Que fundei em todos estes anos de dissidência
Sem medo algum de perder um pouco mais.
E, depois dele, todas as conclusões infundadas
Tornaram-se, apenas, uma teoria em involução.
Então me pergunto, onde esconderam os sentidos?
O que há de novo que alguém desconheça?
Na monotonia cotidiana do óbvio
O que verei se, de repente,
deixar a porta aberta quando anoitecer?

Fevereiro 06, 2009

Sensatez

Guarda minhas palavras para que não sejam sórdidas.
Para que não se tornem tolas.
Para que não fiquem dispersas.
Guarda para que não as julguem insensatas
E para que não sejam lançadas
à onde não devam cair.
Guarda porque não as quero vento.
Guarda porque não quero ver o tempo
carregar o que nem fundei.
Mas guarda para que num dia certo
meus sonhos, sempre tão incertos
possam se concretizar:
Guarda, para que um dia em meio a muitos
sobressaindo-se entre tantos murmúrios
seja eu quem deva falar!
-------------------------- Seilinhah ***